Dando continuidade aos artigos de interesse comum aos kayaksurfers e a parceria com KAYAKSURF.NET, agora a vez de Rui Calado, da Watertech de Portugal expor seus conhecimentos em relação a segurança. 
 
 
 
Matéria com exposição simultânea no KAYAKSURF CLUB BRASIL e KAYAKSURF.NET PORTUGAL 
 
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Este é um tema difícil de tratar pois tanto quanto me lembro não li nada sobre o assunto em lado nenhum. Vou portanto fazer um mix entre técnicas de segurança em águas bravas, kayak de mar e a experiência que tenho do mar e das ondas...

Começamos pela segurança passiva, ou seja, aquilo que podemos fazer ou atitudes que podemos tomar para tornar a actividade segura, mesmo antes de a começarmos a praticar. Neste ponto incluem-se os locais que escolhemos para surfar e o equipamento que vamos usar:

Os locais

O mar e as ondas parecem um meio muito mais tranquilo e seguro para andar de kayak do que um rio, por exemplo. Mas, como em tudo, tem as suas especificidades que devem ser conhecidas e relativamente controladas. Tudo começa pela escolha da praia e das condições do mar. Devem ser adequados ao nosso nível técnico... No início nunca se deveria escolher uma praia com fundo rochoso ou condições de ondas a partir violentamente na areia (quebra coco).


Escrito por Bebeta às 09h19
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Quando se aprende a andar de bicicleta não se vai imediatamente fazer saltos de 5 metros... Há que saber olhar para o mar (ou para o windguru) e conseguir identificar a cadencia das ondas, importante para sair para as ondas e regressar à praia, as marés, as correntes, os picos, etc etc. Já se viu muita gente a nadar furiosamente contra uma corrente para chegar à praia quando, 5 metros ao lado, há outra corrente que os levaria até lá com muito menos esforço. É difícil perceber isso ao nível da água e numa situação desconfortável e por isso é preferível fazer um reconhecimento prévio de onde estão as correntes principais.

É importante também saber ver onde as ondas terminam. A onda acaba por perder a força num fundo de areia? Ou pelo contrário nunca perde a força e acaba numa falésia? A onda é limpa ou passa por pedras na sua trajectória normal? Os sets estão regulares ou diferem muito entre eles? O intervalo entre ondas é muito curto ou longo? Está muito vento? Para onde é que ele nos empurra?

Situações diferentes exigem níveis técnicos diferentes e cuidados adequados.

Atenção também à forma como as ondas “fecham”. Muitas vezes não é o tamanho das ondas a única coisa com que nos devemos preocupar. É também a forma como elas “partem”. Há muitas situações em que é mais tranquilo fazer uma onda de 1,5 metros do que uma de 50 cm... Estão a ver a ideia?



Escrito por Bebeta às 09h17
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No que diz respeito ao equipamento que levamos para dentro de água:

O colete tem no kayaksurf e waveski 3 funções importantes: ajuda na flutuação (como é evidente), protege de impactos e ajuda a manter a temperatura do corpo. Além de nos ajudar nas manobras de recuperação, como a esquimotagem, permite manter-nos à superfície sem grande esforço. Energia que poderá ser necessária para nadarmos em determinada direcção. Ajuda-nos também a ficar à superfície em caso de impacto ou desorientação.

O capacete, que os mais puristas dispensam, é também um elemento que deve ser usado em todas as circunstâncias e não apenas quando surfamos em fundos rochosos. Não nos podemos esquecer que estamos no mar com uma pagaia na mão que nos pode atingir quando perdemos o controlo, estamos sentados dentro ou em cima de uma embarcação rígida que nos pode magoar, com quilhas afiadas que nos podem ferir. E depois muitas vezes não estamos sozinhos e as regras das prioridades ficam um pouco esquecidas...

A presença de fundo de pedra ou de rocha na costa é, claro, também uma excelente razão para se usar este elemento de protecção. Até para manter a temperatura na nossa cabeça e, dependendo do desenho do capacete, impedir que entre água com pressão para os nossos ouvidos.

Levar um fato isotérmico é sempre aconselhável, não só porque o nosso corpo arrefece cerca de 25 vezes mais depressa em contacto com a água (podendo levar a uma hipotermia mesmo com um calor relativo cá fora), mas porque ele próprio nos dá flutuação e protege de impactos e contacto com rochas. No caso do kayak, um bom saiote que não impluda com uma onda mais forte é outro elemento a ter em conta. Mas que seja fácil de colocar e sobretudo tirar numa situação de emergência.

No caso do kayak é muito importante usar flutuadores que preencham a zona traseira para impedir que afunde ou que fique demasiado pesado no caso de uma saída molhada. No caso do waveski, há que defenda a utilização de um leash, um cabo (trela na tradução literal) que prende a prancha ao kayaksurfista. Pode ser bastante útil para não se perder o contacto com o waveski - a nossa boleia - mas também apresenta o perigo de se enrolar à volta de uma parte do nosso corpo inadvertidamente...

Para terminar deve-se ter em conta o tipo de kayak ou waveski que usamos, que deve ser adaptado ao nosso nível técnico, ou pelo menos próximo. Andar no início com uma máquina muito nervosa e instável vai colocar-nos mais vezes problemas do que nos divertir...

Imaginemos que temos as condições ideias para uma surfadela. Sol, calor, mar perfeito, ondas regulares e a partir certinhas, estamos equipados a rigor. Ainda temos que ter em conta que alguma coisa poderá correr menos bem durante a surfadela. E por isso temos que saber reagir.



Escrito por Bebeta às 09h16
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Rui Calado - foto: cardeli.com

Vamos então falar de Segurança Activa:
Antes de mais deveríamos tentar garantir que mesmo nas situações mais agitadas continuamos na posição normal dentro ou em cima da nossa máquina de surfar. Neste ponto deve-se distinguir bastante a capacidade de recuperação de um kayak e de um waveski. Ao controlar manobras básicas como apoios e esquimotagem colocam-nos quase a par, mas no caso de termos que nadar, é rápido e relativamente fácil voltar para o waveski e continuar a fazer ondas. Já o kayak... obriga-nos a nadar para terra, retirar a água e voltar a entrar.

Neste sentido é fundamental dominar as manobras de recuperação, ou seja, esquimotagem em ambos os casos e saber voltar rapidamente a subir para a prancha no caso do waveski.

Mas se por alguma razão nos encontramos a nadar e impossibilitados de continuar a pagaiar normalmente (por se partir a pagaia, o cinto ou a prancha no caso do waveski por exemplo), temos que saber nadar com o equipamento. Também aqui os dois tipos de embarcação diferem pois o waveski não fica com água dentro e portanto será sempre mais leve do que um kayak.

Vamos tentar não largar nem a pagaia nem a embarcação, pelo menos até chegar à zona de rebentação. Uma vez a nado e com algum vento ou corrente, a embarcação ou pagaia poderão afastar-se de nós muito mais rápido do que conseguimos nadar para os voltar a apanhar... A pagaia pode ser usada para “remarmos” mesmo sem embarcação, permitindo muito mais velocidade de deslocação do que com as mãos (veja-se a diferença de área entre a mão e uma pá de pagaia).

Podemos nadar usando a embarcação como se fosse uma prancha de bodyboard, ou no caso do wave rebocá-lo pelo leash. Uma vez na zona de rebentação é muito importante não nos colocarmos à frente do kayak ou wave pois ele virá sem controlo e com bastante velocidade ter connosco. É preferível tentar segui-los até ter pé e tentar segurar a máquina e sair da água. Mas uma vez mais sempre por trás e nunca à frente. Muitas pernas e costelas já sofreram o impacto de um kayak ou wave e não gostaram...

Em condições de ondas que fecham na areia (quebra coco) seja de kayak ou de wave é preferível desmontar antes de chegar à zona onde a onda rebenta e sair a pé segurando a embarcação. Pode-se poupar muito as costas e o pescoço no caso de um viranço directo para a areia, e mesmo evitar partir os fins e casco do kayak ou wave ao entrar com demasiada força pela areia dentro...

Rui Calado - www.watertechkayaks.com



Escrito por Bebeta às 09h13
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