
A polêmica do julgamento nas competições são antigas e famosas em qualquer modalidade ligada ao surf. É comum lermos matérias nas revistas de surf sobre atletas brasileiros se dizendo injustiçados no WCT ou WQS. Também não é raro encontar algum atleta que diz que o que foi colocado na papel não condiz com o que aconteceu na água. Qual é a real? Avaliação subjetiva, falta de profissionalismo, protecionismo ou apenas uma boa desculpa de que não passou na bateria? Veja algumas opiniões. Fizemos a pergunta:
Vc acha que a avaliação das baterias de kayaksurf e surf em geral abrem espaço para diferentes interpretações dos juízes podendo haver distorção no resultado final?
LUIZ PEDRO – EDITOR KAYAKSURF.NET
Não há critérios de avaliação perfeitos... mas o kayaksurf está a atravessar uma fase crucial neste aspecto. Mais do que a tal "distorção" nos resultados finais, o que mais me preocupa é a formação do júri das provas de kayaksurf. Em Portugal, por exemplo, estamos num impasse. Não há formação de júris de raíz e há só uma prova com juízes de surf acreditados pela Federação Portuguesa de Surf (Santa Cruz). Nas restantes provas, contamos com a boa vontade de kayaksurfistas da casa. Esta situação leva-nos para uma outra não menos polémica... onde encaixa o kayaksurf: organismos autónomos, federações de canoagem ou de surf? Claro que a formação dos júris terá que ser com base no surf mas então... como vai uma federação de canoagem formar júris de surf? Usamos um kayak, uma pagaia mas temos que respeitar as regras e etiqueta de um outro desporto para o qual é necessária uma outra sensibilidade e formação. É aqui que temos que evoluir... na formação de uma nova geração de júris. Podemos aprender muito do que já foi feito no surf. Um exemplo fundamental: no final de cada heat, a divulgação imediata das pontuações dos atletas que estão na água. Simples e eficaz. Claro que este método, como se vê no WCT ou no WQS, não descura a hipótese de termos polémica e acesas discussões entre júris e atletas! Mas, como disse no início... não há critérios perfeito. Resumindo, vamos absover ao máximo o que o surf já evoluiu neste campo e investir numa formação de raiz para o kayaksurf. A evolução só pode ser positiva!
MARIO SILVEIRA: ATLETA / COMITÊ CBCA
Sim, basta pegarmos como exemplo o surf. O Surf está em um estágio muito mais profissional que o nosso esporte e até hoje presenciamos campeonatos onde os juízes, literalmente, puxam brasa para os locais do pico. É assim no Havaí e na Austrália, por exemplo, onde os Brasileiro são sempre prejudicados pelos juízes. A presença do Head Judje tem o intuito de nivelar as notas dentro de um padrão, mas mesmo assim o critério é muito subjetivo. Porém, ressalto que se o atleta realmente “quebrar no surf” fica difícil dos juízes contestarem.
ROGERIO CRUZ: ATLETA / COMITÊ CBCA
Com a experiência em 14 mundiais posso dizer que na teoria o julgamento de surf é feito de uma maneira que é difícil vc não ter um resultado coerente , a não ser que os três juízes e o hed judge estejam macomunados, se eles são juízes profissionais sabem diferenciar bem, o que pode acontecer é uma falta de conhecimento de determinada modalidade gerar um mal julgamento , é por isso que em todos os campeonatos que realizei faço uma reunião com eles para esclarecimento."
MAURÍCIO BORSARI - ATLETA
Bom em relação a questão, se entendi bem eu também acho totalmente uma avaliação de performance aberta , isto quer dizer, pode haver diferentes interpretações para a mesma execução de manobra e que com certeza influência no resultado final. Isto é muito famoso no meio do surf, pois durante muito tempo tipo nas competições nos anos de 70 e 80 os campeonatos de surf eram super polêmicos, pois existia a rivalidade entre o pessoal do sul do rio e de sp e também o pessoal do norte como o surfista Jojó de olivença, e também a nível mundial entre americanos australianos europeus e o resto como África do sul com Shaum Tompson e Brasil que ensaiava as primeiras aparições do Fabio Gouveia e eram sempre campeonatos com resultados polêmicos e muitas reclamações sobre a arbitragem, estou falando assim pois li uma matéria sobre isto do cara que hoje é o boss da arbitragem da ASP falando exatamente isto e que só resolveram este assunto quando o meio começou a se profissionalizar e eles sentiram a necessidade de investir em congressos de arbitragem de surf até conseguir uma classificação e padronização nos critérios a serem julgados, e ele diz que continuam investindo na formação de mais juízes distribuídos pelos diferentes continentes .Depois disso quero dizer que com a gente é a mesma coisa que o resto do mundo, e acho que só será eliminado este elemento ou pelo menos amenizado quando existir demanda no seguimento que permita alguém investir a ponto da CBCA poder fazer tipo uns congressos para parametrisar os critérios, pois hoje ainda é na base da amizade ou do localismo mesmo quando pagam juízes para arbitragem .
GUSTAVO ENNES: ATLETA
Sou da opinião sobre o julgamento das competições de que qualquer pessoa com experiência pode avaliar as performances tanto do kayak surf como também das outras modalidades tais como surfboard. Para mim a onda é a mesma como uma tela a ser projetada nossas impressões, o aproveitamento requer as mesmas premissas e a plasticidade é a identidade de cada um. O que me parece óbvio é que se deva levar em consideração a referência entre um atleta e outro que se encontram disputando a apreciação dos juízes, o nível das condições das ondas e a capacidade de harmonização com o meio.
Ou seja, acho que não interferem pois as diferenças apresentadas devem conceber a interpretação subjetiva de cada individuo que estiver a julgar e deva ser legitimada.
ROBERTA BORSARI: ATLETA / IDEALIZADORA KAYAKSURF CLUB
As questões de arbitragem sempre geram polêmica, pois todos os atletas investem muito de si numa prova e a avaliação do surf como um todo acaba sendo subjetiva por mais que tenham regras de pontuação e etc... Pelo que já vivenciei em competições acredito ter distorções sim. Treinamento, atualização, conhecimento da performance e técnicas específicas do kayaksurf por parte dos juízes são alguns dos fatores que contribuem para a profissionalização neste segmento. É importante ter investimento nesta área, ter um evento legal, com boa organização, mas também investir em juízes profissionais conhecedores da evolução do esporte, e de preferência de estados ou países diferentes para evitar regionalismos. Se bem que, se tiver alguém mal intencionado, não há treinamento que resolva. É difícil, mas temos que caminhar neste sentido para profissionalizar o esporte como um todo.
Escrito por Bebeta às 16h46
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